sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O Candomblé e o Idioma Yorùbá

Ainda hoje consigo ouvir pessoas dizendo que não há necessidade em aprender o idioma Yorùbá, pois o que se fala no Candomblé é bem antigo e ninguém mais sabe falar daquela maneira. Também ouço que não há necessidade aprender, pois se louva òrìsà com o coração e não com palavras traduzidas. Não deixando a clássica: não preciso aprender pois falo português e no Candomblé ninguém fala com ninguém em Yorùbá.

Não quero com esse artigo obrigar ou convencer alguém a fazer um curso, seja comigo ou com outro professor do idioma, não. O que eu gostaria de ver é as pessoas mais consciente do papel que o idioma tem dentro de uma religião já seguindo rumos tão diferente a cada lugar que se vá.

O Yorùbá seria uma maneira de unir as pessoas de diversos estados, de acabar um pouco com o caos existente dentro de nossos ritos e mostrar que temos valor e cultura, e que ainda mais, somos conhecedores desses valores e cultura.

Ora, tantas outras religiões valorizam o seu idioma de origem, por que seríamos diferentes. Sim, estamos no Brasil, mas até mesmo o nome de nosso deuses são em Yorùbá, os cumprimentos são em Yorùbá, os nomes dos cargos e postos são em Yorùbá, os nomes de iniciação são em Yorùbá e lhe confesso, muitas vezes de difícil tradução, pois muitas vezes passam uma coisa para o iniciado que nada condiz com o que realmente é.

Por que não damos atenção ao idioma tanto quanto damos para os ritos e seus atos? Por que não tirar alguns minutos para ensinar as pessoas do ilé como se pronuncia uma determinada palavra? Coisa tão simples é passear pelo barracão dizendo o nome de cada objeto e de cada utensílio, mas preferem falar de queimação, ebó, roupas dos santos, preço dos richelieu e nada mais.

A isso se resume nosso povo de santo? Todos dias me pergunto isso. Pois é o que parece.

Hoje vejo uma nova geração com sede de conhecer: querem aprender a jogar, a queimar, a passar ebó, a fazer outro ìyáwó, querem aprender a dançar, querem pintar o sete.… mas, essa sede, pude notar também está se estendendo para o ramo da linguagem. Sim eles também querem falar o idioma, por mais que seja para aparecer, impressionar… ter um grauzinho perante um mais velho, mas eles querem aprender. Nem todos se encaixam neste perfil, pois muitos querem aprender como se fosse um chamado, algo que lá dentro deles os norteia deste que entrou para a religião.

Essa sede de aprendizado é algo muito bom, pois se torna a motivação para mergulhar em um idioma que pede até mesmo que use os pensamento de forma diferente, pois o Yorùbá é a forma de pensar de um povo.

Mas esse bloqueio, essa refutação ao idioma se mostra apenas quando tratamos do Candomblé, pois os iniciados ao Culto de Ifá sabem da necessidade de uma palavra bem dita, bem pronunciada. Conhecem mais que ninguém o valor das palavras. Sabem o poder que o vento tem, quando bem pronunciamos um encantamento.

Acordemos, não sejamos um povo ignorante e de pé no chão como já ouvi muito falar por aí. Com a internet ao alcance de todos, sebos com livros baratos… nós podemos conhecer e muito, não só o idioma Yorùbá, mas também a história do nosso antepassado religioso. Podemos conhecer melhor as ervas, podemos cantar não só cantigas de nosso culto, mas muitas outras, como a cantiga de nascimento de uma criança.

Acordemos meu povo, vamos ser mais forte, vamos nos unir e mostrar que o Candomblé é um religião forte e de origem, de raiz forte.

O dábò gbogbo

Olùkó Vander